quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Um poema de amor


Eu amo você
Tanto que parece não caber em mim
Eu amo você
Tanto como nunca senti
Eu amo você 
De uma maneira que eu nem sabia que existia
Eu amo você 
Que pensar em te perder
Me angustia
Eu amo você
Porque você me completa
Eu amo você 
Porque me sinto repleta
De amor
Eu amo você 
Porque o sabor
Dos seus lábios
É enlouquecedor
Eu amo você 
E me sinto dependente
Desse amor
Ardente

Eu não quero desfazer o nosso laço,
Eu quero me desfazer no seu abraço.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Futuros


   Ele foi o primeiro cara que me fez sonhar com um futuro juntos. Eu deitava à noite, fechava os olhos, e imaginava nós dois, numa cama de casal, olhando um para o outro. Naquela época, eu queria isso desesperadamente. Trocar minha cama de solteiro e minha solidão por qualquer coisa, mesmo um futuro sem futuro. 
   Então eu percebi que eu não queria um futuro sem amor. Eu queria um futuro acolhedor, suave, possível de acontecer.
   Resolvi parar de sonhar com qualquer um e esperar o sonho certo aparecer. E apareceu. Hoje, quando fecho os olhos antes de dormir, não vejo só você e eu deitados numa cama, olhando um para o outro. Vejo você me abraçando, nós dois dormindo juntos de verdade, perto um do outro. E, por ser um futuro com futuro, consigo imaginar também nós dois explorando o mundo juntos. Consigo quase sentir seu abraço mesmo estando longe, consigo ouvir sua voz. Imagino nossas viagens, os shows que iremos, as aventuras que teremos juntos e todo o nosso amor real. Eu consigo até sentir a felicidade do meu eu no futuro, a paz no meu coração quando seus braços estão em volta do meu corpo, me segurando firme.
   E assim eu durmo muito mais feliz, porque sei que esse futuro um dia vai chegar, e é um futuro com muito amor.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Memória

   Muitas pessoas reclamam que querem esquecer e não conseguem. O meu caso é exatamente o contrário. Eu quero lembrar, mas não consigo.
   Claro, eu lembro de algumas coisas. Como ela me fazia feliz. Como seu pelo de cachorro era macio. Como ela era gordinha e tinha bafo. Mas eu não me recordo dos detalhes. Do quão pesada, da cor exata do pelo. Muitos momentos simplesmente sumiram da minha mente. Eu não consigo me concentrar o suficiente para imaginá-la completa.
   Meu cérebro apagou muitas lembranças como prevenção. Lembrar dói. Mas não lembrar dói muito mais. Olhar para foto e não conseguir rever exatamente como ela estava naquele momento dá vontade de chorar.
   E o pior é não recordar de partes boas, mas lembrar como doeu perdê-la. Lembrar com precisão da voz que me deu a notícia, lembrar dos choros que ouvi, lembrar de estar jogada no chão porque eu não tinha força para me manter em pé. Lembrar de parecer que meu mundo tinha acabado, que eu estava sem chão, sem motivos para ser feliz. Eu lembro das sensações durante nossos anos de companheirismo, da felicidade e da tristeza. Lembro como ela era feliz, como éramos felizes juntas. Lembro dela batendo na porta pedindo para entrar no quarto. Mas os detalhes me escapam, parece que não consigo me recordar de tudo, de uma visão completa dela.

   Cada vez que eu olho as fotos, eu a reconheço menos. Lembrarei do quanto a amava, mas em breve não lembrarei do seu rosto, só me restará seu nome.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Amores líquidos

  - Não fique tão decepcionada, meu bem. - disse meu amigo ao ver meu estado após levar um pé na bunda - Infelizmente as pessoas amam assim no século XXI, uma hora estão se declarando para você e só basta o tempo de ver um vídeo de cachorrinho no facebook para você estar solteira de novo. Já ouviu falar em amor líquido? As pessoa tem tanta pressa de tudo que até o amor precisa durar pouco, ser rápido. É aí que elas se enganam. O amor, o verdadeiro amor, não tem pressa, não tem hora, não termina assim com uma mensagem de whatsapp. Não fique ansiosa para encontrar o seu, não deixe que as fotos de casais nos instagram te deprimam, querendo ter um romance daqueles, talvez seja apenas falso, apenas para fingir estar feliz ao lado da pessoa. Sabe por que, Roxy? Os amores hoje em dia acabam na segunda batida do coração. Não se assuste, é assim. Não deixe essa pressa, de começar e acabar, te afligir. As Parcas já decidiram nosso destino, deixe elas tomarem seu tempo, elas são mais antigas que os deuses gregos, possuem todo o tempo do mundo. O amor pode bater a sua porta amanhã, daqui a 5 ou 50 anos. Não importa. Ele virá.

  Assenti e o abracei, feliz por ter contato pele-com-pele em um momento que quase todos os consolos são feitos por uma tela de celular.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Século XXI

   Família tradicional brasileira. Um casal hétero, dois filhos, um cachorro, a(s) amante(s). Apartamento na zona sul do Rio. O marido chega a casa na hora do Jornal Nacional, não olha na cara da esposa, pede apenas a janta. Tira os sapatos, a gravata. Assiste a tv. Os filhos no quarto, fingindo fazer o dever de casa enquanto mexem no tablet. Os pais não se preocupam em perguntar sobre o dia deles mesmo, como vão saber em que matérias eles possuem dúvidas? O marido diz que passou um dia atarefado no trabalho. Muita papelada, muita reunião. Na verdade, encontrou a amante durante o almoço, naquele motel de quinta no centro. Depois do trabalho passou meia horinha com a outra antes de ir para casa. O perfume dela ainda estava delicadamente impregnado em seu terno, sua mulher apenas fingia que não via. Dois ditados resumem a vida de muitas mulheres casadas: "o que os olhos não veem, o coração não sente"/ "a ignorância é uma benção". É melhor não mencionar, é mais cômodo ficar junto. Ora, há toda a complicação do divórcio, toda a burocracia e o estresse. Coitada das crianças. A situação financeira vai piorar. Não, não, melhor continuar tudo como está. Manter essa linda família e postar várias fotos nas redes sociais das viagens para a Disney. Esse é o Brasil que querem manter.  

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Disfarce

   Era uma vez uma bela mulher. Todos a adoravam, pois sua beleza não era apenas externa: ela tinha um brilho mágico. Por onde ela passava, ela fazia amigos, encantando a todos com suas risadas e sua alegria. Mas toda essa felicidade era uma casca. Por dentro havia uma mulher infeliz que usava seu sorriso para esconder a amargura. E toda a tristeza de sua vida provinha de uma pessoa: seu marido, que a humilhava, xingando-a de gorda, grudenta, sebosa, manhosa, irresponsável, estúpida e outros adjetivos deploráveis. Humilhava-a em frente aos amigos e parentes, acrescentando palavrões e rindo como se fosse tudo uma piada. Aquelas palavras feriam, mas nossa heroína disfarçava bem. Brincava, se divertia, mas tudo guardava. Cada palavra era uma facada no coração. Quem a via passar na rua não imaginava o quanto ela sofria, o quanto ela ainda sofre. O quanto se sente solitária ao deitar na cama ao lado daquele homem que ela tanto ama e amou e receber dele nem ódio, apenas indiferença. Ser trocada por uma tela de celular. Ela trocaria tudo por amor. Ela só queria ser amada. Por ele. Ela só queria ser feliz como os que amam e são amados de volta.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Desculpe-me

  Esse texto é no fundo um pedido de desculpas.
  Hoje eu voltava para casa, com essa alergia típica de inverno do louco tempo carioca (esfria-esquenta-esfria) quando, ao espirrar, um senhor, à porta de sua casa, me diz:
  -Ih, minha filha, também estou com essa alergia braba.
  Eu apenas dei um sorriso amarelo e continuei andando. Uns dois minutos depois, bateu-me um peso na consciência. Aquele velhinho talvez fosse solitário e estivesse apenas querendo uma companhia, ouvir uma voz diferente dos sussurros dos que já se foram. Talvez ele estivesse apenas sendo simpático, sem segundas intenções.
  Então, peço-lhe desculpas, meu amigo. Sei que esse pedido não chegará ao senhor, e, se chegar, talvez você nem se lembre desse episódio que durou 5 segundos. Mas minha consciência fica mais tranquila sabendo que pude externar minha angústia.
  Peço desculpas por não ter te respondido propriamente. Mas espero que entenda que no fundo a culpa não é minha. A antiga eu nunca teria te ignorado. Mas essa antiga eu não existe mais. Ela sofreu decepções cada vez que saiu na rua. Ela não aguenta mais olhos devoradores que a comem inteira e a deixam com vergonha, desejando não estar ali, desejando voltar para casa, trocar de roupa. Ela não aguenta mais velhos com seus sorrisos safados que a enojam. Ela não aguenta mais ouvir um "bom dia" malicioso. Ou encoxadas no metrô. Ou gestos obscenos proferidos por homens sujos. Ou buzinadas e risadas deselegantes. E aí parece que todo ser do sexo masculino que encontramos na rua quer zombar de nós, nos humilhar. Como se eles nos vissem apenas como meros objetos feitos para satisfazê-los. E não sou apenas eu que estou cansada disso, somos todas. Isso acaba com nosso dia, nos deixa mal.

  Então, desculpe, Senhor. Eu percebi que essa não era sua intenção. Mas a sociedade me ensinou a me defender de qualquer ameaça que tenha um órgão sexual diferente do meu.